Aforismos compilados de uma entrevista de Jayme Ovalle a Vinicius de Moraes, em 1955:

“Os outros planetas não são habitados, só a Terra. Todo o resto é luxo, prodigalidade de Deus. É como o carpinteiro que para fazer um móvel deixa se espalhar uma quantidade de pó e serragem. No caso, pó luminoso de astro de estrelas”.

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“Deus fez muito rascunho. O hipopótamo, por exemplo, é um rascunho de Deus”.

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“Deus fez as mulheres normalmente feias para casar com homens bonitos. Quanto às irremediavelmente feias, foram feitas por Deus para povoar as igrejas de madrugada, para usarem grandes rosários e serem beatas”.

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“O ato criador, no fundo, é a revelação das coisas que nós deixamos de viver por falta de oportunidade e sobretudo por covardia”.

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“O poeta é o macho por excelência. Poesia só gosta de macho. Com a natureza efeminada, a Poesia só se diverte. Você acha que a Poesia poderia gostar nunca de um Paul Geraldy? Já Camões, puxa! a Poesia fica tarada. Agora, a Poesia aceita de vez em quando uns hermafroditas. Rilke, por exemplo, era hermafrodita”.

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“A música vive fora de nós. Nós somos os instrumentos. Quanto melhor o instrumento, melhor a música”.

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“O suicídio é um ato de publicidade: a publicidade do desespero”.

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“Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Mas não fez a mulher à imagem e semelhança do homem. Daí a gente chega à conclusão de que a mulher é um corpo estranho”.

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“A criança é mais importante do que o homem. Mas o homem é mais importante do que a criança prodígio”.

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“Machado de Assis era um grande míope. Punha aquele pince-nez de precisão e via tudo. Mas era um grande míope. Seus pensamentos são de míope”.

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“Poesia é boa
quando não vem. 
É como a namorada
que olha da janela
apaga a luz do quarto
e não vem”.

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“O câncer é a tristeza das células”.

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“Acho que o chato é o verdadeiro psiquiatra. A gente faz verdadeiras curas com um chato. Depois de conversar com ele, não existe problema nenhum”.

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“A morte é a única coisa que é completamente nossa. A única coisa que não é social na criatura. É a única coisa individual, própria, que a gente alimenta desde que nasce. A morte é a nossa filhinha querida. Todo o resto não nos pertence”.

paulo-mendes-campos
As crônicas aqui reproduzidas podem veicular representações negativas e estereótipos da época em que foram escritas. Acreditamos, no entanto, na importância de publicá-las: por retratarem o comportamento e os costumes de outro tempo, contribuem para o relevante debate em torno de inclusão social e diversidade.
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